segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Escolas de Futsal: Formação de atletas ou de indivíduos para a vida

 Escolas de Futsal: Formação de atletas ou de indivíduos para a vida

Ao longo dos meus cerca de 15 anos de experiência como Treinador de Futsal, quase sempre trabalhei com formação, imaginando formar bons atletas, quem sabe um dia atletas profissionais, mas logo deparei que nas minhas equipas de futsal quem participava eram essencialmente crianças e adolescentes, que estavam ali para ter o prazer de praticar um jogo, de brincar, sorrir e de fazer novas amizades....
Após muitas trocas de experiências com vários treinadores e outro dinamizadores da modalidade, e com alguma leitura avulsa, cheguei à conclusão que tinha que usar o futsal como ferramenta para ajudar na formação do cidadão e não só visando a competição. Das crianças e jovens que trabalharam comigo na iniciação, três ou quatro praticam o futsal em forma de competição até hoje. Os demais, são hoje estudantes superiores ou profissionais de outras áreas como: professores, médicos, advogados, contabilistas ou técnicos das diferentes áreas, enfim, várias profissões que usam ou usaram o futsal apenas como melhoria da sua qualidade de vida. O que quero dizer com isso, e que nós, técnicos de formação em futsal não devemos nos preocupar somente em formar atletas de qualidade e sim trabalhar o bem estar, o caracter, as qualidades necessárias para que o nosso atleta seja um cidadão alegre e cheio de vontade de praticar o futsal, seja ele como profissional ou como mero desporto preferido para praticar nas suas horas vagas. Quando um miúdo deixa de participar nos treinos de futsal, logo achamos que ele não gosta de jogar, mas isso é um erro nosso. Devemos fazer uma reflexão da maneira que trabalhamos com esse atleta e não transferir a responsabilidade para ele próprio por ter parado de praticar futsal. O meu maior resultado na formação, é aquele que mais me orgulho, não é um qualquer índice estatístico positivo ao nível dos resultados, mas sim o índice baixíssimo de atletas que deixam de praticar o desporto que tanto gostam.
Os factores psicológicos de motivação, são essenciais no trabalho com jovens. Talvez os miúdos cheguem com muita vontade de jogar futsal, divertindo-se, e não de iniciar um treino visando somente os resultados ao fim-de-semana. As crianças e os adolescentes não têm estrutura física e psicológica para aceitar regras muito rigorosas, devemos fazer dos nossos treinos de futsal, uma recreação, com treinos diversificados, com normas e regras prazerosas, que façam com que o atleta corra, chute, drible, ganhe, perca, mas que tenha sempre vontade de voltar no dia seguinte..... Acho que o maior beneficio é manter a criança em actividade e não nos resultados alcançados. Por isso o meu trabalho é, hoje, muito direccionado na formação de um cidadão. E que o futsal esteja sempre presente em sua vida, como profissão, desporto preferido ou como uma simples paixão. ....... .... .... .......
(de um Treinador de Futsal para muitos treinadores de Futsal)

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